A gente já estava com a promessa de fazer essa viagem há algum tempo. Finalmente pensamos na data que seria perfeita e com o ok lá no trabalho do Cris, trocamos as milhas que já estavam pra vencer e seguimos em frente. Então eu tinha 1 mês para planejar nossa primeira viagem a Buenos Aires com a Clara, nossa filha de 4 anos e meio.
Não foi difícil, viu? Devorei o Buenos Aires para Niños e mais uma penca de sites e blogs com dicas legais. Então começamos pelo começo.
HOSPEDAGEM:
Passagens reservadas, tinha que decidir por um lugar pra ficar. As sugestões dos amigos prevaleceram: o mais legal era Palermo. Como rolam várias subdivisões no bairro, com a ajuda do Ricardo Freire, optei pela hospedagem em Palermo Soho.
Muita gente falou que alugar aptos saía bem mais em conta, mas não achei lugares que alugassem por menos de uma semana. E cá entre nós, chegar cansado no fim do dia e encontrar o quarto em ordem e toalhas limpas não é nada mal, vai.
Entrei em contato com vários hotéis, alguns não aceitavam crianças ou não tinham disponibilidade para a data, outros estavam um pouco (ou muito) acima do que a gente estava disposto a pagar de diária… enfim, fui com a cara do Rugantino: super bem localizado, com várias resenhas positivas e preço camarada já incluindo café da manhã e taxas.
Fiquei apreensiva quando eles confirmaram minha reserva sem pedir nenhum depósito antecipado, mas parece que é uma prática comum. No dia anterior a viagem, ainda mandei mais um email (aliás, todas as mensagens foram prontamente respondidas) para confirmar e tudo certo.
Chegamos pelo aeroparque, então ficava a 10 minutos do Rugantino (o táxi custou cerca de 22 pesos). O hotel é pequeno, sem luxo, não tem elevador, mas os quartos são limpos, cama ótima, chuveiro melhor ainda e todo o pessoal é muito cordial e atencioso. Café da manhã simples e gostoso e eles expremem suquinho de laranja na hora pra você. O wi-fi é maravilhoso. Aliás em todos os lugares onde paramos e tinha wi-fi o sinal era ótimo e a internet bem rápida. A única coisa bem chata é que o hotel não aceita cartão de crédito. Eu simplesmente abstraí essa informação e no último dia perdemos 1 hora pra ir ao banco tirar a grana.
PASSEIOS:
Deixamos as malas e fomos direto pra a Barbie Store, Clara estava ansiosa e eu tinha lido que às vezes nos finais de semana eles fecham para festinhas. Estava aberta neste e pudemos fazer tudo: conhecer a lojinha, o café, fazer maquiagem (você escolhe o tipo e paga cerca de 30 pesos) e brincar lá dentro – tem casinha de bonecas, fantasias, mesinhas para desenhar e…só. É super bonitinha, mas meio ordinária. Pagamos pra Clara brincar por 1 hora (39 pesos), mas parece que foi muito, ela não se animou tanto assim e quis ir embora antes de acabar o tempo.
No sábado ainda demos uma volta caminhando por Palermo. Váaaarias lojinhas lindas e a fofíssima Sopa de Príncipe que vende bonecos de pano: tem uns monstrinhos e bichinhos irresistíveis, eles ficam em caixas de frutas, como numa quitanda, dá vontade de levar um de cada. A Clara escolheu uma bonequinha linda <3

Andamos até a Plaza Julio Cortázar (ou Placita Serrano) onde tem uma feira de artesanato. Bem cheia, mas num clima super gostoso. Demos uma volta e paramos pra tomar una cerveza tirada até anoitecer enquanto a Clara dormia no carrinho. Vida difícil…
No dia seguinte fomos na Feria e no Mercado de San Telmo. Confesso que fiquei bem decepcionada com a feira. E aí você me pergunta porque fiquei decepcionada já que não gosto de antiguidade…abafa o caso. Como bem falou o Masili, é uma mistura de Benedito Calixto com Embú das Artes. Achei que tinha quinquilharia demais e artesanato de gosto bem duvidoso. Valeu a visita, mas não curti.
O mercado é bacana, com aquelas lojinhas tradicionais com frutas, carnes e queijos aos moldes do Mercado Municipal, mas também não me encheu os olhos. Não dou like pra San Telmo.
Depois fomos a Puerto Madero. Almoçamos por lá (já já falo dos restaurantes) e passeamos pela área dos diques. A vista é linda e a brisa deliciosa. Clara ficou fascinada com o Buque Museo Corbeta Uruguay, em princípio parece bobo, mas ela adorou ver como é um navio por dentro.
À tarde, partimos para o Museo de los Niños que fica no Abasto Shopping. É uma área enorme com 2 andares que de museu não tem nada. É uma mini cidade para as crianças (acho que até 11 anos) brincarem de profissões: tem médico, motorista de ônibus, engenheiro, enfermeiro e etc. Prepare-se para passar pelo menos umas 3 horas lá, eles não querem ir embora nunca e realmente é muito legal.
Neste mesmo shopping tem também a Neverland. Um mega parque que tem até roda gigante dentro. Dessa vez nós não fomos.
No terceiro dia visitamos o zoológico. Sou suspeita pra falar, adoro ver os bichinhos e estava bem mais ansiosa por esse passeio do que a Clara. Logo na entrada e em vários outros pontos do zoo, são vendidos potes de ração para que você mesmo possa oferecer para alguns animais, uma fofura. Mas me bateu uma deprê de ver os bichos cabisbaixos e paranóicos, andando de um lado para o outro ou em círculos – como em qualquer zoológico, aliás
Ainda nas pesquisas, encontrei um outro Zoo em Lujan, perto de Buenos Aires onde os animais ficam soltos ou você pode entrar nas jaulas pra passar a mão. Não me interessei nem um pouco em conhecer. Se fiquei deprimida com os bichos presos, imagina vê-los dopados? Eu hein…a humanidade tá perdida mesmo. Agora pra ver animais selvagens só indo num safari.

No mesmo dia fomos caminhando pelos bosques de Palermo até o Jardin Japonês. Lindo, lindo. Os japas entendem como ninguém de paisagismo e é um passeio imperdível. Estava tão relax que levei uma bela cagada de passarinho na blusa e nem liguei…ahaha!

À noite fomos conhecer El Ateneo, a famosa livraria que era um teatro. Linda de tirar o fôlego, não é à tôa que foi considerada a segunda livraria mais bonita do mundo pelo The Guardian.

Último dia: Mundo Discovery Kids que fica em Las Cañitas. Ao estilo Barbie Store só que mais legal. Se você tem crianças que ainda estão na fase de assistir Discovery Kids, claro. É um espaço gostoso, com uma lojinha que vende produtos com os personagens dos desenhos (Clara se encantou por uma mochila no formato da Uniqua espiã) e um café com várias coisas gostosinhas na parte de baixo. Em cima a criançada se diverte com joguinhos das Princesas do Mar, Lazytown, Mister Maker e Dinotrem. Você paga 25 pesos por uma hora e está incluído um lanchinho. 
De lá demos uma volta pelas ruas da região e fomos para o shopping Alto Palermo que fica pertinho da Santa Fé. No shopping tem o Mundo Cartoon Network, que é só mais um daqueles parquinhos com brinquedos eletrônicos que você compra ficha, nada demais.
RESTAURANTES:
Muitas, muitas dicas de restaurantes imperdíveis em Buenos Aires. Eu fiz uma lista extensa, me preocupei em pegar dicas de todos os lugares por onde a gente ia passar de acordo com o roteiro que eu montei e adivinha? não fomos a nenhum deles.
Apesar da Clara não comer muito, ela come de tudo, então não precisava ser nada específico. Ufa.
A gente chegou na cidade já no horário do almoço, fomos no hotel deixar as malas e eu quis ir correndo pra Barbie Store, nem me preocupei em comer. Saímos de lá azuis de fome e acabamos parando por perto mesmo. O lugar se chama Le de Bebe, é bem simplório (pra não dizer pé sujo). Não achei nenhum link pra colocar aqui. Mas a parrilla é boa, provando que carne e doce de leite em Buenos Aires não tem muito como errar.
À noite fomos num italiano perto do hotel chamado Appassionato. Massinha da melhor qualidade, ambiente gostoso e como em vários lugares por onde a gente passou, tocando música brasileira. Super indico.
Em Puerto Madero fomos ao Cabaña Las Lilas. Esse é bem conhecido e tem até cardápio em português. Cris foi de ojo de bife, mas eu não curto carne mal passada (imagina dizer isso em Buenos Aires…) e preferi um pulpo español. Divino.
Na região da Plaza Julio Cortázar tem vários bares/restaurantes e depois de mais um dia de andança, passamos no hotel pra tomar um banho e caminhamos até lá pra comer alguma coisa. Paramos no Bar Abierto. Comemos empanadas e depois pedi uma milanesa com papas fritas. Delícia!
Na região do zoológico foi mais ou menos o mesmo esquema: andamos até encontrar algum restaurante bonitinho pra entrar. Escolhemos o La Gauchita. Tinha um menu executivo bem legal, o prato estava bem saboroso, mas achei pouca comida.
No último dia acabamos almoçando no Mundo Discovery Kids. Eles servem uns sandubas dos deuses. Cris pediu um com salmão e eu um tostado bem bom. Fica a dica.
Em todos os restaurantes eles servem um antepasto que na maioria das vezes vem com um pãozinho massaroca. É um pão com uma massa pesada, mas simplesmente deliciosa.
Clara sempre ficava com um pouquinho de cada prato, mas toda vez ela queria o da mamãe.
SORVETES:
Fiz uma pesquisa das sorveterias mais legais, mas só conseguimos ir a três. Às vezes a gente passava por alguma da lista, mas estava empanzinado ou simplesmente sem vontade de sorvete mesmo.
Claro que a Freddo não podia faltar. O sorvete de dulce de leche é de tomar rezando. Na Munchi’s resolvi variar e tomar um de chocolate italiano. Sem comentários. Já na Un’ Altra Volta achei o sorvete doce demais, só fui até metade do copinho e fiquei enjoada. Já o Cris comeu o dele, a metade do meu e mais o do Clara, #vaigordinho total.

Faltou a gente conhecer a Persicco, a Jauja, Nonna Biana e a Chungo. Fica pra próxima.
ALFAJORES:
Se você acha que alfajor na Argentina é sinônimo de Havanna está redondamente enganado. Existem dezenas de marcas com recheios e coberturas das mais diversas. Fiquei horas navegando pelo blog desse argentino louco por alfajores. No blog ele faz um review bem humorado de cada marca, diz os pontos positivos e negativos e dá nota (de 1 a 5). Demais.
Algumas marcas que ficaram com boa cotação: Cachafaz (5), Cada de Piedra (4,5), Cayasta (4), Bimbo (4,5), Nyxol (4).
Trouxe algumas caixas de Cachafaz pra presentear a família. O bichinho é bom mesmo.
COMPRAS:
Meu intuito nessa viagem não era fazer compras, então não tenho indicações. Sei que tem vários outlets, coisa e tal, mas passei batida. Aqui alguns links com ótimas dicas.
DICAS DIVERSAS:
-> Monte um roteiro e não se importe se ele furar de vez em quando. Roteiros são só uma intenção e não uma obrigação. Mas se for com crianças, monte um com pelo menos 1 programação para elas por dia, por favor.
-> Assim que chegar ao aeroporto compre o Guia “T”. Mesmo com wi-fi em qualquer lugar, vai ter um momento que você vai precisar dele pra se localizar. Custa 16 pesos.
-> Mesmo com toda essa paranóia das notas falsas, não se preocupe se a casa de câmbio só tiver notas de 100. Você consegue trocar facilmente nas bancas de jornal ou comprando um café.
-> A água é super pesada e salgada. Quando for comprar, prefira as que tenham a inscrição “bajo sódio” no rótulo, são mais parecidas com as que a gente tá acostumado a beber por aqui.
-> Sempre que entrar num restaurante se certifique que ele aceita cartão de crédito. Alguns só aceitam acima de um valor determinado também. A gorjeta de 10% (propina) normalmente não é incluída na conta, é de bom tom que você deixe em dinheiro sobre a mesa ao ir embora.
-> Os taxistas mereciam um tópico só pra eles, porque são dos mais diversos: tem os quietos, os falantes, os grosseiros, os que dão uma voltinha a mais, os que desligam o taxímetro ou os que te devolvem notas falsas de troco, mas todos são péssimos motoristas. Esqueça o trânsito, não olhe para o que ele está fazendo, curta a paisagem! (procure utilizar os serviços de empresas de taxi como a La Plata, os Radiotaxis que são confiáveis e contam com motoristas cadastrados).
-> Fique ligado que muitos lugares fecham às segundas ou terças. Se informe antes de chegar lá e dar de cara na porta.
-> Coma os doces a base de doce de leite. Entre em qualquer mercado e compre doce de leite pra levar pra casa (dos industrializados, a dica é La Sereníssima – Estilo Colonial). Não tem nem comparação com os que são vendidos no Brasil, dá até vergonha.
-> Quem foi o #seulindo que inventou carrinho de bebê? Sem ele nós não seríamos ninguém nessa viagem com a Clara. Para viajar com criança, ele é mais que imprescindível.
-> O mais legal dessa viagem é caminhar, então não esqueça seu par de tênis mais confortável.
Bom, acho que é isso. A viagem foi perfeita, nos divertimos muito, não tivemos contratempos e espero poder voltar outras vezes, vale muito à pena. Se você tiver alguma dica legal deixe aí nos comentários, serão muito bem vindas!