Já dispensei uma faxineira que faltava demais pra levar o filho ao médico (era o que ela dizia) e estava sempre me deixando na mão. Eu bem que a mantive por um tempo nesse esquema, mas é uma coisa realmente irritante, não dá pra culpar um empregador. Ele não está interessado nos motivos que levam o empregado a faltar. Se ele precisa do cara lá e ele não pode estar, vai arranjar outro que possa. Triste fato.
E de uns tempos pra cá, eu sei bem que não adianta pedir pra outra pessoa – que seja o Cris ou a minha mãe – levar minha filha doente ao médico, porque sou eu que quero fazer todas as perguntas estapafúrdias que vierem à minha cabeça. Sou eu que quero ver a expressão dele ao examiná-la ou ao me dar qualquer diagnóstico que seja. Quando ela está se sentindo mal, é a mim que ela chama e sou eu que quero estar lá quando vier a febre e ela pedir colo. É um sentimento muito primário, não tem nem o que explicar.
Tenho sofrido por antecipação essa questão de faltar o trabalho para acompanhar a Clara mais de perto nesses momentos. Vou completar dois meses na empresa e já tive que pedir pra minha mãe vir correndo do Rio duas vezes para cuidar dela. Precisei faltar quando ela ficou internada. E agora mais uma vez, ela está precisando de mim.
Mas a verdade é que não há muito o que fazer e não adianta eu ficar me martirizando. Ela é a prioridade e com certeza o resto do mundo pode esperar…


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