Era pra Clara ter nascido de parto normal. Aí um belo dia a bolsa estourou, passei uma noite em claro depois de quase 12 horas sentindo dores, mas minha dilatação não passava de 2,5 cm (quando deveria chegar a 10cm, no mínimo). Até que minha médica veio me dizer a situação: havia passado muito tempo, eu já estava quase sem nenhum líquido e ela poderia entrar em sofrimento fetal se eu insistisse por mais tempo, por isso achava melhor que partíssemos para uma cesariana. Eu disse: “POR FAVOR!”. E em uns 30 minutos eu já estava na sala de cirurgia com a Clara nos meus braços. FIM.

Passados 6 anos engravidei novamente. Dessa vez em SP, precisava procurar um outro obstetra. Peguei indicação com uma amiga, fui até o consultório e disse para o médico: “doutor, não pretendo ter um parto normal, mas quero esperar o bebê dar sinal de que quer nascer”.

Ele não respondeu exatamente com essas palavras, foi delicado e usou de todo o eufemismo que podia, mas o que ele disse foi basicamente: “não vai rolar, não estou à sua disposição”.

Lógico que troquei de médico. Porque afinal, se eu queria esperar o bebê dar sinal, teria que ser um médico que topasse fazer parto natural. Peguei indicação com uma outra amiga que também estava grávida e lá fomos nós.

Bom, aí um monte de gente vai perguntar: por que não parto normal? e eu respondo: Porque eu não queria. Tive uma experiência ruim esperando por um parto normal e quando decidimos fazer a cesárea, foi tudo lindo, meu pós operatório foi tranquilo, minha cicatrização foi ótima e eu não estava afim de pagar pra ver de novo. Simples assim. Mesmo o médico me dizendo que tudo poderia ser diferente da primeira vez.

Eu não sou de levantar bandeiras. Sou a favor do parto natural, mas também sou a favor da cesária. Na verdade, sou a favor da mulher fazer uma escolha consciente, sabendo de todos os prós e contras das opções possíveis. Leio, sou esclarecida, tenho acesso a toda a informação acerca do assunto e fiz a minha escolha. Ela estava bem clara pra mim. Mas eu não contava que um belo dia, lá na reta final, eu fosse perder completamente a esportiva: com muitas dores nas costas, ansiedade absurda e sem dormir, pedi pro médico marcar uma data. Toda aquela minha preocupação em esperar ela dar sinal de que queria nascer foi pra cucuia. E com 39 semanas e uns quebrados a Marina nasceu, de um parto programado.

Foi um momento incrível que eu provavelmente não iria conseguir vivenciar caso realmente fosse esperar ela querer nascer: agendar a sala com o tal do visor plasmático que permite a família acompanhar o parto.

Se você acha que ver um filho nascer é o momento mais emocionante da vida, imagina ver a reação da sua filha mais velha que esperava tanto a chegada da irmãzinha, enquanto ouve o chorinho do seu bebê? Aquela cena nunca, nunca vai sair da minha memória

Não sei se sou muito bem resolvida quanto a isso, mas confesso que tenho preguiça dos xiitas que ficam dizendo que mãe que faz cesárea é menos mãe do que a que faz parto normal (e mãe adotiva, hein? nem imagino o quanto essa mãe deve ser menos mãe pra essa galera…). Que a mãe que faz cesárea deve ter um tempo de luto (oi?) para chorar o parto normal que não teve. Desculpa, mas deu um soninho agora…zzzZzzZZZZzzz


Este texto foi escrito sexta-feira, 2 de agosto de 2013 às 00:43 sob a(s) categoria(s) Aconteceu, virou manchete, Ligeiramente grávida, Ser mãe é.... Você pode acompanhar os comentários via o feed RSS 2.0. Comentários e trackbacks encerrados.

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