Era pra ser de um jeito e não foi. Duas vezes.

Publicado: 2 de agosto, 2013
Categoria: Aconteceu, virou manchete, Ligeiramente grávida, Ser mãe é..., Comentários encerrados

Era pra Clara ter nascido de parto normal. Aí um belo dia a bolsa estourou, passei uma noite em claro depois de quase 12 horas sentindo dores, mas minha dilatação não passava de 2,5 cm (quando deveria chegar a 10cm, no mínimo). Até que minha médica veio me dizer a situação: havia passado muito tempo, eu já estava quase sem nenhum líquido e ela poderia entrar em sofrimento fetal se eu insistisse por mais tempo, por isso achava melhor que partíssemos para uma cesariana. Eu disse: “POR FAVOR!”. E em uns 30 minutos eu já estava na sala de cirurgia com a Clara nos meus braços. FIM.

Passados 6 anos engravidei novamente. Dessa vez em SP, precisava procurar um outro obstetra. Peguei indicação com uma amiga, fui até o consultório e disse para o médico: “doutor, não pretendo ter um parto normal, mas quero esperar o bebê dar sinal de que quer nascer”.

Ele não respondeu exatamente com essas palavras, foi delicado e usou de todo o eufemismo que podia, mas o que ele disse foi basicamente: “não vai rolar, não estou à sua disposição”.

Lógico que troquei de médico. Porque afinal, se eu queria esperar o bebê dar sinal, teria que ser um médico que topasse fazer parto natural. Peguei indicação com uma outra amiga que também estava grávida e lá fomos nós.

Bom, aí um monte de gente vai perguntar: por que não parto normal? e eu respondo: Porque eu não queria. Tive uma experiência ruim esperando por um parto normal e quando decidimos fazer a cesárea, foi tudo lindo, meu pós operatório foi tranquilo, minha cicatrização foi ótima e eu não estava afim de pagar pra ver de novo. Simples assim. Mesmo o médico me dizendo que tudo poderia ser diferente da primeira vez.

Eu não sou de levantar bandeiras. Sou a favor do parto natural, mas também sou a favor da cesária. Na verdade, sou a favor da mulher fazer uma escolha consciente, sabendo de todos os prós e contras das opções possíveis. Leio, sou esclarecida, tenho acesso a toda a informação acerca do assunto e fiz a minha escolha. Ela estava bem clara pra mim. Mas eu não contava que um belo dia, lá na reta final, eu fosse perder completamente a esportiva: com muitas dores nas costas, ansiedade absurda e sem dormir, pedi pro médico marcar uma data. Toda aquela minha preocupação em esperar ela dar sinal de que queria nascer foi pra cucuia. E com 39 semanas e uns quebrados a Marina nasceu, de um parto programado.

Foi um momento incrível que eu provavelmente não iria conseguir vivenciar caso realmente fosse esperar ela querer nascer: agendar a sala com o tal do visor plasmático que permite a família acompanhar o parto.

Se você acha que ver um filho nascer é o momento mais emocionante da vida, imagina ver a reação da sua filha mais velha que esperava tanto a chegada da irmãzinha, enquanto ouve o chorinho do seu bebê? Aquela cena nunca, nunca vai sair da minha memória

Não sei se sou muito bem resolvida quanto a isso, mas confesso que tenho preguiça dos xiitas que ficam dizendo que mãe que faz cesárea é menos mãe do que a que faz parto normal (e mãe adotiva, hein? nem imagino o quanto essa mãe deve ser menos mãe pra essa galera…). Que a mãe que faz cesárea deve ter um tempo de luto (oi?) para chorar o parto normal que não teve. Desculpa, mas deu um soninho agora…zzzZzzZZZZzzz

Na última semana passei 7 dias com a família em San Francisco na Califórnia. O marido foi trabalhar e aproveitamos para passear. Isso significa que fiquei a maior parte do tempo sozinha com minhas filhas pequenas: Clara e Marina completam 7 anos e 10 meses, respectivamente, no mês que vem.

Muita gente achou que ia ser uma loucura passar esses dias andando pela cidade só com elas – e confesso que eu também tinha minhas dúvidas – mas preferi arriscar: se desse tudo errado, pelo menos a gente ia ter história pra contar :)

Bom, então vamos lá: nessas horas temos que nos preocupar com algumas coisas:

Qual meio de transporte utilizar? Em San Francisco, por exemplo, existem os cablecars, que são bondinhos que percorrem toda a cidade. Um barato, mas pra quem está sozinha com um carrinho de bebê, fica inviável. Eles estão sempre cheios e são estreitinhos. Por mais que você ache que terão pessoas gentis para te ajudar, não dá pra contar com isso.

Quando o cansaço era enorme, nos rendíamos ao táxi, mas andamos basicamente de metrô e ônibus. E muito, muito a pé. A cidade é bem estruturada para cadeirantes e por conta disso, foi fácil andar de carrinho pra lá e pra cá com todos os elevadores e rampas disponíveis. Mas eu passei aperto pra descer com o carrinho do ônibus umas duas vezes sem ajuda. Enfim…sobrevivi :)

Programas para entreter o filho mais velho? Essa é a parte mais difícil com certeza. Porque nem sempre a programação agrada e mesmo que agrade, a criança está tão cansada que não consegue aproveitar. Mas faz parte, né? TEM QUE TER atividades especiais pra eles.

Alimentação do filho mais novo? Marina vai completar 10 meses. Eu não queria encher ela de papinha com conservantes a semana inteira, por isso pesquisei lugares onde poderia achar opções mais saudáveis pra ela na cidade, mas para minha surpresa, você encontra papinhas orgânicas, sem conservantes e sem adição de sal em qualquer farmácia ou mercado pelo caminho. Achei o gosto uma droga (sem um pingo de sal, né?), mas ela curtiu. E o intestino funcionou melhor do que em casa com as comidinhas naturais.

Fazer um roteiro? Já falei isso em outro post sobre viagem, mas repito aqui: monte um roteiro e não se importe se ele furar de vez em quando. Roteiros são só uma intenção e não uma obrigação. Quando tem criança envolvida, eleve isso ao quadrado: você precisa parar pra descansar, tem os horários de mamadas, trocas de fraldas, refeições e etc. Desencana!

Todos os dias eu tinha uma programação e conseguia seguir boa parte dela, mas ainda assim, faltou fazer um montão de coisa que eu tinha planejado. Clara às vezes ficava muito cansada e reclamona, pedindo pra voltar pro hotel. Tinha momentos em que a Marina também já estava de saco cheio de ficar sentada no carrinho. Então respeite o tempo das crianças, respire fundo e, se necessário, dê meia volta.

O que fizemos nesses dias:

-> Yerba Buena Center Gardens: Ficamos hospedados na região da Union Square, então no primeiro dia, resolvi andar por ali para reconhecer um pouco o território. Paramos nos jardins do Yerba para comer e passear. Clara brincou pra caramba. Tomamos um delicioso smoothie no Jamba Juice pelo caminho, e ficamos andando pelas ruas, olhando tudo ao redor. Adoro fazer isso :)

Yerba

-> Zoológico: Confesso que achei o zoo fraco. Poucos animais, muita obra. E o que achei estranho, foi que diferente da maioria dos zoos que conheço, esse não flui. Você entra em uma ala e tem que voltar de onde veio pra ir pra outro lugar.

Clara cansou rápido, a gente não tinha nem chegado na ala dos felinos e ela pediu pra ir embora. Tem um carrossel bonitinho, uma fazendinha para crianças pequenas tocarem nos bichinhos e um espaço onde pequenos animais ficam soltos e adolescentes explicam sobre eles. Mas nem a lojinha tem coisas legais.

Pra mim valeu por ter visto um coala de perto e olhe lá…ahaha.

-> California Academy of Science: A Academia de Ciências é incrível e de museu não tem (quase) nada. Lá você encontra um aquário fantástico, planetário, museu de história natural, um simulador de terremotos e uma floresta tropical indoor cheia de borboletinhas que pousam em você.

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A construção que foi totalmente baseada em tecnologias e práticas sustentáveis, é a edificação pública mais eco sustentável do mundo. Daí os valores exorbitantes pra entrar? U$35 adulto e U$25 criança. Se você quiser comprar as fotos que eles tiram nas entradas das atrações, ainda desembolsa mais U$20 pela primeira…ok, se levar mais de uma tem promô :D

Passamos parte da manhã e mais a tarde inteira lá, quando saímos já estava ventando muito e acabou que não tivemos tempo pra conhecer melhor o parque. Chegamos na entrada do Jardim Botânico, que é bem bacana, mas não entramos. Golden Gate Park fica pra uma próxima vez com mais calma.

-> Fisherman’s Wharf: É a parte mais turistona da cidade. Muitas opções de restaurantes, cafés, sorveterias, lojinhas, um passeio gostoso de fazer com as crianças. Pelas redondezas do Pier 39, você deve encontrar um bando de leões marinhos barulhentos, deitadões, na maior preguiça.

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Ainda no Pier 39, tem uma filial pequena da Boudin, mas andando mais um pouco, você se depara com a cheirosíssima Boudin Bakery, onde tem os famosos pães em formatos de bichinhos e dá pra ver os padeiros preparando tudo pelo vidro.

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Passeando pelos piers, você vê a Ilha de Alcatraz, que até os anos 60 funcionou com o famoso presídio de segurança máxima. Eu não tinha intenção de visitar o local, mas todo mundo recomenda o passeio.

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Ali na região você também encontra a Ghirardelli Square, onde tem os melhores chocolates e sorvetes da paróquia. É de chorar, pena que não dá pra comer de tudo.

-> Chinatown: Passamos de ônibus e já deu pra ter uma ideia. Parece ser bem divertido andar por lá. Fomos jantar um dia em Japantown, mas estava um vento gelado horroroso e as lojas já fechando, também não deu pra conhecer grandes coisa, uma pena.

-> Crissy Field: Um lugar delícia que os locais usam pra caminhar, andar de bike, passear com os cachorros, fazer churrasco. É de lá também que você clica os melhores ângulos da Ponte Golden Gate.

-> Palace of Fine Arts: Lindo, lindo. Cercado por jardins bem cuidados e um lago cheio de patinhos e cisnes, é um daqueles cenários bastante procurados para um ensaio fotográfico. Fomos no sábado e vimos vários acontecendo.

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-> Presidio: Bonitos e históricos jardins de uma antiga base militar. Todo mundo bem cansado no último dia na cidade, a melhor maneira que encontramos de ver o que tinha por lá foi pegando um dos ônibus de transporte gratuito que cruzam os dois lados do parque.

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Sobre compras: ficamos na região onde tem um monte de lojas legais: Gap, Uniqlo, H&M, Sephora (pra quem gosta), Disney, Apple…tirei um dia também para ir a Emeryville (cidade vizinha) porque queria ir na Ikea e na Target.

O que eu ainda acho muito estranho nessas cidades é não ter taxi nas ruas ou em pontos como aqui. Você obrigatoriamente precisa pedir um. Então se você não tiver esses contatos a mão, entre num restaurante ou hotel e peça pra alguém ligar para a companhia de taxi. Ainda passei aperto em Emeryville, porque os taxistas não aceitavam transportar a Marina sem o carseat. Só depois da terceira tentativa, conseguimos uma boa alma para nos levar até a estação de metrô para voltar pra San Francisco. Foi um longo dia :P

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Sobre comer: achei a cidade cara de uma maneira geral, tinha separado várias dicas de restaurantes BBB para conhecer, mas como sempre acontece em nossas viagens, a gente conheceu 1 ou 2 só, porque acabava comendo algo pelo caminho ou chegava tão exausto no hotel, que não tinha mais forças pra ainda sair de novo. Praticamente passamos a semana inteira comendo sanduba. Então não tenho nenhuma dica quente pra dar.

Bom, não acabou…fiz a loucura de escolher uma conexão em que saíamos de SF no sábado a noite e chegávamos em NY no domingo de manhã. Passávamos o dia todo em NY e só chegaríamos em SP na segunda de manhã. Mas diante das outras opções em que a gente teria que voar por 8h com as meninas durante o dia, essa acabou sendo a mais acertada.

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Só que todo mundo já estava exausto da semana inteira e ainda passou a noite naquele aperto desumano dos assentos da classe econômica, sem pregar o olho. Chegamos em NY bem cedinho com o intuito de andar o dia todo por lá. Fomos comprar (adivinha?) sandubas para fazer um picnic no Central Park com uma galera. Que lugar incrível, PQP.

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Clarinha se esbaldou brincando a tarde inteira, e por fim, Marina estava toda melada de frutas, com os pés e mãos imundos de terra…ahaha. Foi uma tarde deliciosa e inesquecível :)

E sim, já estamos prontos para a próxima!

Há 6 anos eu escrevi uma lista de atitudes que eu achava serem as mais adequadas para pessoas que visitam new babies.

É, passou bastante tempo, meu bebê cresceu, eu mudei de cidade, engravidei de novo e cá estou com um bebê de 6 meses, reavaliando tudo aquilo :)

Obviamente que é a lista da Anna, que é mãe de segunda viagem, que mora numa cidade longe da família, com poucos amigos e que amadureceu um pouquinho…então tudo isso deve ser levado em consideração.

Aqui o post original

E aqui embaixo, vou colocando os tópicos com minhas considerações atuais em negrito.

–> Mães recém-paridas são verdadeiros zumbis. Estão sempre com o sono atrasado e olheiras enormes. Portanto, se não der para aguentar a curiosidade em conhecer o recém-nascido, ligue antes e veja se existe algum horário mais adequado para uma visitinha. E nunca se demore demais: meia-hora é bem razoável. Provavelmente o tempo em que ela está fazendo sala para você é aquele no qual ela aproveitaria para dormir!

Continuo assinando embaixo de tudo isso que eu falei: A gente dorme ABSURDAMENTE mal e muitas de nós sofrem para amamentar, com seios rachados e empedrados. Pelo menos no primeiro mês, a gente fica um trapo e bem mal humorada. Então seja razoável: ligue antes de ir e faça uma visitinha rápida!

–> Se puder, espere pelo menos até o bebê completar três meses. A mãe já está mais acostumada com a rotina e o bebê já vai estar bem mais espertinho. Você poderá ver ele acordado e quem sabe até, abrindo um belo sorriso banguela para você.

Que mané 3 meses! a mãe fica louca pra receber visitas! quer mostrar seu bebê para o mundo, mas principalmente falar. Quer falar com alguém que não seja seu marido, sua mãe, sua empregada. Quer falar de outras coisas que não envolvam o universo de fraldas e mamadas. Então vai lá fazer uma visita e ouça a bendita da mãe, faz favor.

–> Se a mãe estiver amamentando, a não ser que ela insista do contrário, procure não sentar por perto para falar da sua vida ou bombardeá-la de perguntas. É um momento em que tanto a mãe quanto o bebê prezam pela paz e a tranquilidade.

É legal o momento de paz e tranquilidade sim, mas é assim quase o tempo todo. Sua companhia fará muito bem, mesmo na hora da mamada (nossa, como eu era mala…)

–> Se for levar um presentinho, nunca leve algo para a decoração do quarto do bebê. Se ele já nasceu, é bem provável que o quarto esteja devidamente decorado. Se você não é super íntima da mãe, pior ainda. Não vai saber o gosto dela e certamente será uma bola fora.

NÃO LEVE nada para decorar o quarto, pelamor.

–> Fraldas descartáveis são sempre bem-vindas. Roupinhas, desde que compradas em lugares onde a mãe possa trocar caso seja necessário, são presentes legais. Outros itens do uso diário, como cueiros e toalhas, nem sempre são uma boa pedida. O bebê já deve ter isso de montão.

Fraldas descartáveis continuam sendo ótimos presentes, desde que você saiba qual a marca de preferência da mãe. Eu, por exemplo, fiz a cagada de não especificar as fraldas no chá de bebê e estou até hoje tentando trocar em toda farmácia que eu passo.

Roupinhas são legais, bodies e macacões são mais legais ainda. Quando o bebê ainda é bem pequeno, eles são bem mais práticos na hora de carregá-los.

Sobre cueiros e toalhas, a não ser que a mãe diga que precisa, é isso mesmo: o bebê já deve ter de montão.

Mordedores e brinquedinhos em geral também são ótima pedida. A gente vai deixando uma leva em cada canto por onde o bebê passa: carrinho, berço, trocador, banheira, chão, bolsa de sair…então nunca é demais

–> Se quiser levar um bichinho de pelúcia, certifique-se primeiro com a mãe ou um parente próximo. Eu, por exemplo, apesar de achar uma graça, evito colocar pelúcia no quarto da Clara. Tem uns três e olhe lá. Acumula muita poeira.

Ah, gente…que saco. Se você vir um bichinho ou um bonequinho lindo e quiser comprar para o bebê, fique a vontade!

–> Tente não escolher um presente que ainda está muito longe da faixa etária atual do bebê. Haja espaço para guardar tanta coisa!

Sim, é verdade. Porque a gente tem cada vez menos espaço pra armazenar essas coisas. Se você vai visitar um bebê que acabou de nascer, não leva uma roupinha que ele só vai usar com 2 anos, né?

Muitos bebês vestem um número a mais que a idade que tem: a Marina, por exemplo, está com 6 meses vestindo roupinha de 9. Então é uma boa prática comprar um presente pelo menos com essa margem. Mas se tiver muito em dúvida, consulte a mãe.

–> Não peça pra pegar o bebê no colo antes que a mãe ofereça. Se ela não oferecer, talvez seja porque não quer que ninguém o pegue, então, fique na sua.

Olha, fui bem chata com a Clara em relação a isso. Não gostava mesmo que ninguém pegasse (que mala, que mala…). Já com a Marina, virou meio uma tradição as pessoas tirarem foto com ela no colo desde pequerrucha. Porque além de ser simpático oferecer, o bebê é bem menos frágil do que a gente pinta.

–> Pode me chamar de chata, mas você tem a maior preocupação em tomar banho, estar com as roupas limpas, lavar as mãos para pegar no seu filho, aí vem alguém da rua e quer botar o maozão no seu bebezinho todo limpinho! Me poupe…

É chatice mesmo, mas O MÍNIMO é lavar as mãos pra pegar no bebezinho.

–> Tenha bom senso e não pegue nas mãozinhas do bebê. Eu sei que é irresistível e é o primeiro lugar onde a gente tem o ímpeto de tocar, mas ele coloca as mãos na boca o tempo todo. Toque nos pezinhos que também são lindos e gordinhos.

Verdade.
Mas eu sei que é irresistível, todo mundo pega e eu também. E olha, ela nem morreu por causa disso. Muito pelo contrário, está cada dia mais esperta e enchendo nossas vidas de mais amor ainda <3

O que foi que você disse?

Publicado: 30 de agosto, 2011
Categoria: Ai, lá vem você?, 1 comentário

Era tarde da noite, o rapaz vinha correndo pelo meio fio. Descalço, usava calça jeans e uma camisa de botão aberta. Segurava uma sacola plástica e um pedaço de cabo de vassoura. Fez sinal para o ônibus que parou e o deixou entrar pela porta da frente.

Ao entrar, subiu num dos bancos e de pé, fitou todos os quatro passageiros que ali estavam e pensavam apenas na cama fofinha que os esperava em casa, mais nada.

O rapaz acabou por sentar e começou uma acirrada discussão consigo mesmo. Alguns minutos depois, levantou e se dirigiu até o final do ônibus. Lá, tentou de toda maneira encaixar o pedaço de cabo de vassoura numa das janelas, sem sucesso. Voltou até a frente do veículo e assim iniciou um percurso de ida e volta até o tal objeto que havia ficado preso em algum buraco lá atrás.

Finalmente voltou a frente e sentou junto à sacola que havia trazido consigo. De repente um dos passageiros levou uma pãozada no ombro. Isso mesmo. O rapaz tirou de sua sacola um pão francês, velho e o jogou no pobre passageiro. Este, que ali estava apenas imaginando chegar o quanto antes ao aconchego de seu lar, não titubeou, pegou o francês esfarelado que caiu no chão e o jogou de volta. Bateu no peito do rapaz, que se mostrou bastante surpreso. Ele apenas baixou a cabeça e colocou o pão no bolso da camisa. Saltou dois pontos depois.

Cá entre nós….você também não acha que o pão disse alguma coisa para ele?


** Texto publicado originalmente em 20/06/2003.
É…faz tempo. Quando a entrada do ônibus ainda era pela frente…ahaha

A gente já estava com a promessa de fazer essa viagem há algum tempo. Finalmente pensamos na data que seria perfeita e com o ok lá no trabalho do Cris, trocamos as milhas que já estavam pra vencer e seguimos em frente. Então eu tinha 1 mês para planejar nossa primeira viagem a Buenos Aires com a Clara, nossa filha de 4 anos e meio.

Não foi difícil, viu? Devorei o Buenos Aires para Niños e mais uma penca de sites e blogs com dicas legais. Então começamos pelo começo.

HOSPEDAGEM:

Passagens reservadas, tinha que decidir por um lugar pra ficar. As sugestões dos amigos prevaleceram: o mais legal era Palermo. Como rolam várias subdivisões no bairro, com a ajuda do Ricardo Freire, optei pela hospedagem em Palermo Soho.

Muita gente falou que alugar aptos saía bem mais em conta, mas não achei lugares que alugassem por menos de uma semana. E cá entre nós, chegar cansado no fim do dia e encontrar o quarto em ordem e toalhas limpas não é nada mal, vai.

Entrei em contato com vários hotéis, alguns não aceitavam crianças ou não tinham disponibilidade para a data, outros estavam um pouco (ou muito) acima do que a gente estava disposto a pagar de diária… enfim, fui com a cara do Rugantino: super bem localizado, com várias resenhas positivas e preço camarada já incluindo café da manhã e taxas.

Fiquei apreensiva quando eles confirmaram minha reserva sem pedir nenhum depósito antecipado, mas parece que é uma prática comum. No dia anterior a viagem, ainda mandei mais um email (aliás, todas as mensagens foram prontamente respondidas) para confirmar e tudo certo.

Chegamos pelo aeroparque, então ficava a 10 minutos do Rugantino (o táxi custou cerca de 22 pesos). O hotel é pequeno, sem luxo, não tem elevador, mas os quartos são limpos, cama ótima, chuveiro melhor ainda e todo o pessoal é muito cordial e atencioso. Café da manhã simples e gostoso e eles expremem suquinho de laranja na hora pra você. O wi-fi é maravilhoso. Aliás em todos os lugares onde paramos e tinha wi-fi o sinal era ótimo e a internet bem rápida. A única coisa bem chata é que o hotel não aceita cartão de crédito. Eu simplesmente abstraí essa informação e no último dia perdemos 1 hora pra ir ao banco tirar a grana.

PASSEIOS:

IMG_0765 Deixamos as malas e fomos direto pra a Barbie Store, Clara estava ansiosa e eu tinha lido que às vezes nos finais de semana eles fecham para festinhas. Estava aberta neste e pudemos fazer tudo: conhecer a lojinha, o café, fazer maquiagem (você escolhe o tipo e paga cerca de 30 pesos) e brincar lá dentro – tem casinha de bonecas, fantasias, mesinhas para desenhar e…só. É super bonitinha, mas meio ordinária. Pagamos pra Clara brincar por 1 hora (39 pesos), mas parece que foi muito, ela não se animou tanto assim e quis ir embora antes de acabar o tempo.

No sábado ainda demos uma volta caminhando por Palermo. Váaaarias lojinhas lindas e a fofíssima Sopa de Príncipe que vende bonecos de pano: tem uns monstrinhos e bichinhos irresistíveis, eles ficam em caixas de frutas, como numa quitanda, dá vontade de levar um de cada. A Clara escolheu uma bonequinha linda <3

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Andamos até a Plaza Julio Cortázar (ou Placita Serrano) onde tem uma feira de artesanato. Bem cheia, mas num clima super gostoso. Demos uma volta e paramos pra tomar una cerveza tirada até anoitecer enquanto a Clara dormia no carrinho. Vida difícil…

No dia seguinte fomos na Feria e no Mercado de San Telmo. Confesso que fiquei bem decepcionada com a feira. E aí você me pergunta porque fiquei decepcionada já que não gosto de antiguidade…abafa o caso. Como bem falou o Masili, é uma mistura de Benedito Calixto com Embú das Artes. Achei que tinha quinquilharia demais e artesanato de gosto bem duvidoso. Valeu a visita, mas não curti.

IMG_0845 O mercado é bacana, com aquelas lojinhas tradicionais com frutas, carnes e queijos aos moldes do Mercado Municipal, mas também não me encheu os olhos. Não dou like pra San Telmo.

Depois fomos a Puerto Madero. Almoçamos por lá (já já falo dos restaurantes) e passeamos pela área dos diques. A vista é linda e a brisa deliciosa. Clara ficou fascinada com o Buque Museo Corbeta Uruguay, em princípio parece bobo, mas ela adorou ver como é um navio por dentro.

À tarde, partimos para o Museo de los Niños que fica no Abasto Shopping. É uma área enorme com 2 andares que de museu não tem nada. É uma mini cidade para as crianças (acho que até 11 anos) brincarem de profissões: tem médico, motorista de ônibus, engenheiro, enfermeiro e etc. Prepare-se para passar pelo menos umas 3 horas lá, eles não querem ir embora nunca e realmente é muito legal.

IMG_0891 Neste mesmo shopping tem também a Neverland. Um mega parque que tem até roda gigante dentro. Dessa vez nós não fomos.

No terceiro dia visitamos o zoológico. Sou suspeita pra falar, adoro ver os bichinhos e estava bem mais ansiosa por esse passeio do que a Clara. Logo na entrada e em vários outros pontos do zoo, são vendidos potes de ração para que você mesmo possa oferecer para alguns animais, uma fofura. Mas me bateu uma deprê de ver os bichos cabisbaixos e paranóicos, andando de um lado para o outro ou em círculos – como em qualquer zoológico, aliás :-(

Ainda nas pesquisas, encontrei um outro Zoo em Lujan, perto de Buenos Aires onde os animais ficam soltos ou você pode entrar nas jaulas pra passar a mão. Não me interessei nem um pouco em conhecer. Se fiquei deprimida com os bichos presos, imagina vê-los dopados? Eu hein…a humanidade tá perdida mesmo. Agora pra ver animais selvagens só indo num safari.

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No mesmo dia fomos caminhando pelos bosques de Palermo até o Jardin Japonês. Lindo, lindo. Os japas entendem como ninguém de paisagismo e é um passeio imperdível. Estava tão relax que levei uma bela cagada de passarinho na blusa e nem liguei…ahaha!

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À noite fomos conhecer El Ateneo, a famosa livraria que era um teatro. Linda de tirar o fôlego, não é à tôa que foi considerada a segunda livraria mais bonita do mundo pelo The Guardian.

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Último dia: Mundo Discovery Kids que fica em Las Cañitas. Ao estilo Barbie Store só que mais legal. Se você tem crianças que ainda estão na fase de assistir Discovery Kids, claro. É um espaço gostoso, com uma lojinha que vende produtos com os personagens dos desenhos (Clara se encantou por uma mochila no formato da Uniqua espiã) e um café com várias coisas gostosinhas na parte de baixo. Em cima a criançada se diverte com joguinhos das Princesas do Mar, Lazytown, Mister Maker e Dinotrem. Você paga 25 pesos por uma hora e está incluído um lanchinho. IMG_1155

De lá demos uma volta pelas ruas da região e fomos para o shopping Alto Palermo que fica pertinho da Santa Fé. No shopping tem o Mundo Cartoon Network, que é só mais um daqueles parquinhos com brinquedos eletrônicos que você compra ficha, nada demais.

RESTAURANTES:

Muitas, muitas dicas de restaurantes imperdíveis em Buenos Aires. Eu fiz uma lista extensa, me preocupei em pegar dicas de todos os lugares por onde a gente ia passar de acordo com o roteiro que eu montei e adivinha? não fomos a nenhum deles. :-P

Apesar da Clara não comer muito, ela come de tudo, então não precisava ser nada específico. Ufa.

A gente chegou na cidade já no horário do almoço, fomos no hotel deixar as malas e eu quis ir correndo pra Barbie Store, nem me preocupei em comer. Saímos de lá azuis de fome e acabamos parando por perto mesmo. O lugar se chama Le de Bebe, é bem simplório (pra não dizer pé sujo). Não achei nenhum link pra colocar aqui. Mas a parrilla é boa, provando que carne e doce de leite em Buenos Aires não tem muito como errar.

IMG_0862 À noite fomos num italiano perto do hotel chamado Appassionato. Massinha da melhor qualidade, ambiente gostoso e como em vários lugares por onde a gente passou, tocando música brasileira. Super indico.

Em Puerto Madero fomos ao Cabaña Las Lilas. Esse é bem conhecido e tem até cardápio em português. Cris foi de ojo de bife, mas eu não curto carne mal passada (imagina dizer isso em Buenos Aires…) e preferi um pulpo español. Divino.

Na região da Plaza Julio Cortázar tem vários bares/restaurantes e depois de mais um dia de andança, passamos no hotel pra tomar um banho e caminhamos até lá pra comer alguma coisa. Paramos no Bar Abierto. Comemos empanadas e depois pedi uma milanesa com papas fritas. Delícia!

Na região do zoológico foi mais ou menos o mesmo esquema: andamos até encontrar algum restaurante bonitinho pra entrar. Escolhemos o La Gauchita. Tinha um menu executivo bem legal, o prato estava bem saboroso, mas achei pouca comida.

No último dia acabamos almoçando no Mundo Discovery Kids. Eles servem uns sandubas dos deuses. Cris pediu um com salmão e eu um tostado bem bom. Fica a dica.

Em todos os restaurantes eles servem um antepasto que na maioria das vezes vem com um pãozinho massaroca. É um pão com uma massa pesada, mas simplesmente deliciosa.

Clara sempre ficava com um pouquinho de cada prato, mas toda vez ela queria o da mamãe. :-P

SORVETES:

Fiz uma pesquisa das sorveterias mais legais, mas só conseguimos ir a três. Às vezes a gente passava por alguma da lista, mas estava empanzinado ou simplesmente sem vontade de sorvete mesmo.

Claro que a Freddo não podia faltar. O sorvete de dulce de leche é de tomar rezando. Na Munchi’s resolvi variar e tomar um de chocolate italiano. Sem comentários. Já na Un’ Altra Volta achei o sorvete doce demais, só fui até metade do copinho e fiquei enjoada. Já o Cris comeu o dele, a metade do meu e mais o do Clara, #vaigordinho total.
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Faltou a gente conhecer a Persicco, a Jauja, Nonna Biana e a Chungo. Fica pra próxima.

ALFAJORES:

Se você acha que alfajor na Argentina é sinônimo de Havanna está redondamente enganado. Existem dezenas de marcas com recheios e coberturas das mais diversas. Fiquei horas navegando pelo blog desse argentino louco por alfajores. No blog ele faz um review bem humorado de cada marca, diz os pontos positivos e negativos e dá nota (de 1 a 5). Demais.

Algumas marcas que ficaram com boa cotação: Cachafaz (5), Cada de Piedra (4,5), Cayasta (4), Bimbo (4,5), Nyxol (4).

Trouxe algumas caixas de Cachafaz pra presentear a família. O bichinho é bom mesmo.

COMPRAS:

Meu intuito nessa viagem não era fazer compras, então não tenho indicações. Sei que tem vários outlets, coisa e tal, mas passei batida. Aqui alguns links com ótimas dicas.

DICAS DIVERSAS:

-> Monte um roteiro e não se importe se ele furar de vez em quando. Roteiros são só uma intenção e não uma obrigação. Mas se for com crianças, monte um com pelo menos 1 programação para elas por dia, por favor.

-> Assim que chegar ao aeroporto compre o Guia “T”. Mesmo com wi-fi em qualquer lugar, vai ter um momento que você vai precisar dele pra se localizar. Custa 16 pesos.

-> Mesmo com toda essa paranóia das notas falsas, não se preocupe se a casa de câmbio só tiver notas de 100. Você consegue trocar facilmente nas bancas de jornal ou comprando um café.

-> A água é super pesada e salgada. Quando for comprar, prefira as que tenham a inscrição “bajo sódio” no rótulo, são mais parecidas com as que a gente tá acostumado a beber por aqui.

-> Sempre que entrar num restaurante se certifique que ele aceita cartão de crédito. Alguns só aceitam acima de um valor determinado também. A gorjeta de 10% (propina) normalmente não é incluída na conta, é de bom tom que você deixe em dinheiro sobre a mesa ao ir embora.

-> Os taxistas mereciam um tópico só pra eles, porque são dos mais diversos: tem os quietos, os falantes, os grosseiros, os que dão uma voltinha a mais, os que desligam o taxímetro ou os que te devolvem notas falsas de troco, mas todos são péssimos motoristas. Esqueça o trânsito, não olhe para o que ele está fazendo, curta a paisagem! (procure utilizar os serviços de empresas de taxi como a La Plata, os Radiotaxis que são confiáveis e contam com motoristas cadastrados).

-> Fique ligado que muitos lugares fecham às segundas ou terças. Se informe antes de chegar lá e dar de cara na porta.

-> Coma os doces a base de doce de leite. Entre em qualquer mercado e compre doce de leite pra levar pra casa (dos industrializados, a dica é La Sereníssima – Estilo Colonial). Não tem nem comparação com os que são vendidos no Brasil, dá até vergonha.

-> Quem foi o #seulindo que inventou carrinho de bebê? Sem ele nós não seríamos ninguém nessa viagem com a Clara. Para viajar com criança, ele é mais que imprescindível.

-> O mais legal dessa viagem é caminhar, então não esqueça seu par de tênis mais confortável.

Bom, acho que é isso. A viagem foi perfeita, nos divertimos muito, não tivemos contratempos e espero poder voltar outras vezes, vale muito à pena. Se você tiver alguma dica legal deixe aí nos comentários, serão muito bem vindas!

No mês passado chegou um aviso de reunião extraordinária na escola da Clara. Era para conversar sobre uma Deliberação que regulamenta o corte etário para 30 de junho. Basicamente: somente as crianças que completam 6 anos até 30 de junho podem entrar para o 1º ano do fundamental. Clara terá que se enquadrar à nova lei porque só faz aniversário em julho. Ela e mais 5 amigos. O restante da turma, segue em frente.

Em princípio fiquei uma fera. Como o governo tem tanto poder sobre a minha vida? como ele pode decidir se a minha filha será ou não capaz de acompanhar um determinado ritmo que é tão particular de cada um?

A idade cronológica é tão importante assim? Pensei em entrar com uma liminar para que a Clara tivesse o direito de seguir normalmente com seus amigos que fazem aniversário até 30 de junho.

E aí, teve a reunião. Lá, consegui entender melhor como será feito o trabalho com as crianças que vão precisar refazer um ano antes de iniciar no fundamental. Que apesar do conteúdo ser o mesmo, as temáticas serão renovadas para que elas não precisem ver tudo novamente do mesmo jeito.

A questão era: refazer o G4 no ano que vem ou deixar para refazer o G5 daqui mais um ano? O pessoal da escola foi categórico sobre a indicação de refazer o G4. Já que o G5, apesar de ainda ser baseado em brincadeira, é bem voltado para quem vai ingressar no fundamental, tem todo um rito de passagem marcando essa mudança significativa para as crianças. E que ao ver delas, educadoras, a sensação de que “todos os meus amigos vão seguir em frente e eu vou ficar” seria bem mais marcada também no G5. Concordei totalmente.

Continuo bastante irritada e achando que essa deveria ser uma decisão familiar e não do governo que não sabe nada sobre as nossas vidas, mas no final das contas, cheguei a conclusão que não preciso apressar a escola e muito menos a minha filha.

Olhando pelo lado meio cheio do copo, ela vai ganhar um ano lá na frente, quando for para decidir a carreira que pretende seguir. Porque convenhamos que na grande maioria das vezes, um jovem de 16, 17 anos não é capaz de tomar uma decisão tão importante assim (que hoje em dia eu nem acho mais tãaao importante, mas esse papo fica pra outro post).

E mesmo que haja um sofrimento inicial em relação aos amigos que vão e aos que ficam, as crianças tem uma habilidade enorme em se adaptar às mudanças e com certeza isso estará doendo mais em nós do que neles.

P.S.: O engraçado é que num outro post onde falo sobre a escolha da escolinha, ressalto justamente essa questão dela ter entrado na turma com crianças da mesma idade. Mas na verdade, a outra escola já estava respeitando a tal lei e a escola da Clara ainda não.

Esse ano para a festa da Clara contratei dois recreadores. Fiz uma busca na internet, cotei algumas empresas e fechei com a APOGEU EVENTOS.

Contratei especificamente este serviço:

02 Recreadores de uniformes ou caracterizados de Palhaços ou Personagens. Duração: 03 horas. Jogos, gincanas, brincadeiras, maquiagem artísticas, tatuagem e esculturas em balões. Custo: R$ 280,00

Como eu havia cotado também com outras empresas e o preço apesar de competitivo, estava um pouco acima, pedi que por esse valor eles me dessem uma hora de bônus, já que a festa teria 4h de duração. Ok, meu pedido foi aceito. Legal!

Dia da festa: com uma hora de antecedência os “recreadores” já estavam aqui, se trocaram e a criançada começou a chegar. Porém, durante todo o evento, eles ficaram apáticos, olhando as crianças se divertirem sozinhas – como elas bem sabem fazer, aliás. Me senti enganada, mas conforme havia combinado, paguei a outra metade que faltava para o casalzinho insosso ir embora. No dia seguinte, mandei um e-mail reclamando:

Gostaria de comunicar a minha decepção com os recreadores que vocês enviaram para minha festa. Acho que para exercer esse tipo de tarefa é necessária uma série de características que faltou de longe na dupla: iniciativa, atitude e firmeza são só algumas delas.

A idéia não é culpá-los, pois acho que vocês é que deveriam selecionar a equipe com mais critério de acordo com o perfil, fazer os treinamentos adequados e etc.

Em 4 horas de festa, eles se limitaram a fazer algumas tatuagens nas mãos das crianças e esculturas em balões. Eram apenas 14 crianças – número que, de acordo com a indicação de vocês, 1 recreador seria suficiente. E ainda assim, 2 não foram capazes de entretê-las. Eles ficaram horas olhando elas brincarem e mesmo com a minha insistência, pedindo que eles fizessem brincadeiras, estas não foram realizadas.

Definitivamente, eu não precisava pagar R$280 para que duas pessoas fossem à minha festa olhar meus convidados brincarem…

Fiquei com a sensação de dinheiro jogado fora. Só paguei porque havia me comprometido com vocês. Mas o compromisso que vocês assumiram comigo, definitivamente, não foi cumprido.

E aí, fiquei bem surpresa quando recebi a seguinte resposta:

Agradecemos a avaliação dos nossos serviços. Estamos trabalhando para que possamos atender as expectativas de nossos clientes.

Oi? Que tipo de resposta é essa? automática? Eu não estou fazendo uma avaliação dos serviços, filhinha. Estou fazendo uma RECLAMAÇÃO FORMAL. Qualquer empresinha com um mínimo de preparo, ou até mesmo só de boa fé, vai te responder com mais atenção, ligar pra você em vez de mandar um e-mail, pedir desculpas, dar um bônus, sei lá. Tentar reverter a situação ou pelo menos fazer com que o cliente não se sinta tão prejudicado.

Depois disso, enviei mais algumas mensagens dizendo que essa era uma resposta completamente despreparada e que eu gostaria de falar com a pessoa responsável.

Sabe quem entrou em contato comigo? NINGUÉM.

Acho que você não deve julgar uma empresa por ela ter cometido uma falha como a de me mandar um casal ruim para animar a festa. Esse fato isolado pode ter uma série de motivos aos quais eu estou alheia. Mas quando você faz uma reclamação e ela não é levada em conta em nenhum âmbito, aí sim, essa empresa deve ser julgada como despreparada e incapaz de executar seus serviços como deveria. Se o descaso foi total com uma coisa desse tipo, eu prefiro nem saber como eles se comportam quando dá algo errado na montagem de um evento completo. #MEDO

Num tempo onde as empresas deveriam se preocupar cada vez mais com a satisfação dos seus clientes, eu ainda vejo algumas com esse descaso absoluto, já que sempre vai ter um outro otário para comprar delas. E enquanto tiver otários validando essa atitude, elas – infelizmente – estarão lá.

Sabe aquele emprego legal que eu consegui no início do ano? Pois é, larguei.

Há anos trabalho com sistemas de gestão e de uns tempos pra cá me apaixonei por gestão da qualidade. Saí do emprego que tinha no Rio para vir morar em São Paulo e encafifei com a idéia que não ia ser feliz se não voltasse a trabalhar com isso. Até que depois de alguns meses arrumei um emprego na área. Fiquei bem satisfeita com o trabalho, mas em muuuuito pouco tempo (menos de 3 meses) o modelo chato de horário de expediente passou a me incomodar demais. O problema (ou solução?) é que em todas essas empresas que adotam esse tipo de trabalho que eu cismei que gosto de fazer, as pessoas tem que cumprir um certo horário, que normalmente não é flexível.

Não confundam não cumprir horário de expediente com “não ser comprometida” ou “não trabalhar o suficiente”. Eu tenho birra de quem acha isso. Não tenho problema em trabalhar, em levar trabalho pra casa e eventualmente virar noites trabalhando se necessário, mas quero ter vida.

Cansei de me sentir culpada por querer ver a Clara nadar, passar um tempinho com ela durante a semana ou ir à uma reunião da escola enquanto todo o resto da humanidade fica sempre até depois da hora no escritório ou no dia de rodízio chega antes das 7h e vai embora depois das 20h. Desculpe, mas quero poder ver minha filha crescer e participar da vida dela. Sem falar que quero poder ter tempo e pique pra participar da minha vida também…

Então resolvi que ia tentar a vida fazendo qualquer outra coisa que envolvesse organização, já que é isso que eu gosto de fazer. Aí, na mesma semana que pedi demissão, o Merigo falou da necessidade de uma pessoa para cuidar do comercial do Brainstorm#9 e cá estou eu!

Estamos repensando uma série de coisas para o site, estou aprendendo a lidar com publicidade stuff e… tenho certeza que agora vai :-D

O mundo pode esperar

Publicado: 14 de março, 2010
Categoria: Ser mãe é..., 3 comentários

Já dispensei uma faxineira que faltava demais pra levar o filho ao médico (era o que ela dizia) e estava sempre me deixando na mão. Eu bem que a mantive por um tempo nesse esquema, mas é uma coisa realmente irritante, não dá pra culpar um empregador. Ele não está interessado nos motivos que levam o empregado a faltar. Se ele precisa do cara lá e ele não pode estar, vai arranjar outro que possa. Triste fato.

E de uns tempos pra cá, eu sei bem que não adianta pedir pra outra pessoa – que seja o Cris ou a minha mãe – levar minha filha doente ao médico, porque sou eu que quero fazer todas as perguntas estapafúrdias que vierem à minha cabeça. Sou eu que quero ver a expressão dele ao examiná-la ou ao me dar qualquer diagnóstico que seja. Quando ela está se sentindo mal, é a mim que ela chama e sou eu que quero estar lá quando vier a febre e ela pedir colo. É um sentimento muito primário, não tem nem o que explicar.

Tenho sofrido por antecipação essa questão de faltar o trabalho para acompanhar a Clara mais de perto nesses momentos. Vou completar dois meses na empresa e já tive que pedir pra minha mãe vir correndo do Rio duas vezes para cuidar dela. Precisei faltar quando ela ficou internada. E agora mais uma vez, ela está precisando de mim.

Mas a verdade é que não há muito o que fazer e não adianta eu ficar me martirizando. Ela é a prioridade e com certeza o resto do mundo pode esperar…

O dia D

Publicado: 22 de fevereiro, 2010
Categoria: Blábláblá, Ser mãe é..., 2 comentários

E hoje – que é aniversário do papai Cris – minha filha voltou pra casa depois de longos 6 dias internada por conta de uma pneumonia.

Levamos ela ao PS na terça-feira de carnaval depois de uma noite mal dormida achando que uma nebulização resolveria o problema e de lá não saímos mais. O primeiro diagnóstico foi uma bronquite, mas com alguns exames complementares, foi constatada a pneumonia. Ela veio silenciosa, nem febre a Clara teve. Um dos pulmões estava bem ruinzinho, segundo a médica que a atendeu.

Foram dias difíceis dormindo muito mal no hospital, ouvindo ela pedir pra voltar pra casa, fazendo a maior manha na hora da fisioterapia, vendo a casa vazia e silenciosa…mas hoje ela voltou.

A família estava toda reunida, almoçamos, cantamos parabéns para o papai e o dia foi uma delícia. O tratamento continua em casa, vamos dar (mais) uma pausa na ida pra escola e a palavra que melhor expressa meus sentimentos agora é: UFA!