E depois de loooongo e tenebroso inverno com a vida cultural chafurdada na lama, pasmem: fui ao teatro.
A peça Ensina-Me a Viver está em cartaz na Sala Marília Pêra, do Teatro do Leblon. Com texto de Colin Higgins, tradução inédita de Millôr Fernandes e direção e adaptação de João Falcão, a montagem também serve de comemoração pelos 50 anos de carreira de Glória Menezes, que encabeça o elenco da obra.
Adaptação do filme homônimo que foi sucesso de crítica e público da década de 70, o espetáculo conta a história de Harold, um garoto sombrio, com fixação pela morte que vê a sua vida mudar quando conhece Maude, uma quase octogenária completamente apaixonada pela vida e adepta de uma filosofia hedonista.

Digamos que a peça é uma comédia de humor negro com uma pitada de drama, mas definitivamente, é a comédia que dá o tom. Ela começa num criativo jogo formado em função de sucessivas movimentações dos objetos cênicos (executadas pelos integrantes do elenco de apoio) passando a compor inúmeros ambientes diferentes. As cenas em que Harold simula o suicídio são recriadas com forte impacto visual, cumprindo seu papel de divertir e assombrar a platéia. Pontos para a direção de João Falcão.
O carismático Arlindo Lopes é o idealizador do projeto. Além de ter comprado os direitos da peça, corrido atrás de produtora e equipe por quase 4 anos, ainda dá um show como o jovem Harold. Batemos um papo no final do espetáculo e ainda pude constatar que ele é um fofo. Augusto Madeira e Fernanda de Freitas – ambos com uma forte pegada cômica – interpretam várias personagens e acabam roubando a cena. Augusto tem 6 personagens (com destaque para Tio Vitor, um ex-militar que perdeu o braço na guerra) e Fernanda tem 3 (as três hilárias candidatas a namoradas de Harold). Pontos para o elenco todo.
O texto é divertido e tocante. A montagem cerca-se de grande profissionais, o figurino é lindo – evidenciando bem o lado mórbido de Harold e o ingênuo e divertido de Maude. A cenografia conquista desde o início, quando os créditos são projetados em telas móveis. Estas mesmas telas ficam em movimento durante toda a trama, compondo um cenário simples e eficiente. E para completar o conjunto com louvor, a trilha sonora é de arrasar. Enfim, no mínino, diversão garantida.
