Eu discordo de quem diz que o nosso mundo é feito essencialmente de imagens e que para o homem um objeto deixa de existir assim que desaparece do seu campo de visão.
Mesmo quando um objeto já não está fisicamente ali, ele pode continuar presente em nossa memória por décadas, graças a seu cheiro.
Os nossos sentidos – tato, paladar, olfato, audição e visão – consistem em um conjunto de funções que favorecem nosso relacionamento com o ambiente, funcionam como informantes do mundo exterior. Nós observamos e percebemos com todos os sentidos, não apenas com os olhos, mas o olfato é o único deles que tem conexão direta com o processamento de emoções e o armazenamento de memórias.
Outro dia coloquei um perfume que ganhei da minha sogra e que já havia usado uns 8, 9 anos atrás. Logo na primeira fungada, uma enxurrada de lembranças veio a minha mente. Lembrei de situações que iam desde a disposição de móveis do meu quarto (que ainda era na casa da minha mãe) até as roupas que usava na época, diálogos que travei enquanto usava a fragrância e etc. Cada vez que isso acontece, acho fascinante.
Tenho uma lembrança olfativa bem marcante de quando tinha uns 5 anos e fui visitar uma fazenda da família na Bahia. Da cozinha vinha um cheiro fenomenal de feijão que nunca mais esqueci, tampouco senti odor parecido.
E você, já foi apanhado por essa sensação engraçada?
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