Aquele cara me atraía. E não era pura e simplesmente por seu porte atlético e olhos azuis cristalinos. Aliás, ele estava até bem longe de se encaixar nos padrões estéticos convencionais.
Mesmo discretamente, me empenhava em conhecer seus gostos e interesses. Prestava atenção em todas as atitudes, gestos, tiques e no seu sotaque incomum, mas que eu não conseguia identificar de que parte do país se originava afinal.
Ele não mencionava nada sobre sua vida. O que mais me chamava atenção era sua extrema perspicácia em introduzir assuntos de interesse coletivo e manter-se sempre neutro. Falava e gesticulava pouco. Aquilo me instigava, caramba.
É…e eu não estava só. Todos pareciam estar numa espécie de transe e não falavam em outra coisa. Tinham basicamente as mesmas curiosidades que eu.
Mas esse orgulho exacerbado que eu tenho, não me deixou levar, ser mais um deles ali babando, se oferecendo. Fingia que não me importava com todo aquele charme e mistério, queria acreditar que ele não passava de mais um carinha fazendo estilo.
Os mais supersticiosos chamariam de instinto de preservação ou sexto sentido, sei lá. Só sei que foi por conta desse sentimento que sou a única que está aqui agora pra contar a história.
Mas acho que hoje não é um bom dia para fazer isso…não, ainda não quero falar.
NÃO QUEEERO! NÃAAAAAO! ME LAAAAARGA! ME DEIXA EM PAAazzz….