Arquivos de março, 2003

move away sale

Publicado: 31 de março, 2003
Categoria: Pffff!

Hoje, pra ver se desencalhava o que sobrou das coisas de casa, resolvemos fazer um “move away sale“. Isso é bem comum aqui pra esses lados. Colocamos cartazes em pontos estratégicos do prédio e as pessoas batem à nossa porta pra ver se tem alguma coisa que as interesse.

O resultado foi ótimo, conseguimos arrematar boa parte da tralha que ia ficar pra trás de qualquer maneira.

É óbvio que a gente já tava fazendo um preço bem camarada, mas eu fiquei impressionada em como esse povo é canguinhas. Desde que eu fui a Salvador e estive no Mercado Modelo, não presenciava tamanha negociação por dois pacotes de mariola. Eu hein.

retrato de dorian gray

Publicado: 30 de março, 2003
Categoria: Blábláblá

Há um certo tempo atrás, peguei emprestado com uma amiga “O Retrato de Dorian Gray“. O exemplar era um daqueles livros de bolso e já bem detonado, com algumas páginas soltas.

Eu tenho verdadeiro horror a livro mal cuidado. Nem o abro direito pra ler se vejo que posso danificar mais ainda. Mas esse estava ali em minhas mãos e não podia desperdiçar a oportunidade.

É bem verdade que eu tinha um emprego onde passava a maior parte do meu tempo navegando na Internet ou lendo. Trabalho mesmo, raramente. Eu gastava minhas horas para que se uma eventual tarefa me fosse designada eu estivesse lá. E numa dessas minhas tardes desocupadas, li aquele pequeno livro despencado, tomando o devido cuidado em olhar página por página, para me certificar de que estavam todas lá, em seus devidos lugares.

O livro, para quem ainda não conhece, conta a história de um jovem aristocrata cuja aparência é de tal pureza que um pintor seu amigo, ao retratá-lo, deseja que ele jamais perca aquela imagem angelical.
Como que por encanto, o desejo é realizado e embora o jovem passe a levar uma vida devassa e cheia de atitudes perversas, seus excessos e caráter desumano não lhe marcam o rosto, mas vão aparecendo no retrato.
Aos poucos a imagem vai se tornando tão grotesca e assustadora que nem mesmo Dorian é capaz de olhar para sua verdadeira aparência, escondendo o retrato no sótão. Apesar de todos os comentários que sua vida boêmia e sádica provoca, ele evoca sua face jovem e tranqüila, que nem parece sentir o passar dos anos.

Leitura imperdível, na minha opinião. Mostra a visão do autor sobre as relações humanas e a estética e te faz pensar em como estaria seu quadro, se você possuísse um igual ao de Dorian.

Mas voltando as minhas tardes repletas de ociosidade, numa delas, como eu já havia dito, devorei o romance, não conseguia parar de ler. E quando faltavam justamente duas páginas para o final, apareceu um trabalho para mim!

Eu não conseguia saber se era mais emocionante lê-lo até o fim ou executar imediatamente a labuta inesperada. Pois sem muita hesitação me resolvi por realizar o tal trabalho. Deixei o livro sobre a mesa. E por total descuido ou emoção, aberto.

Depois de executada com presteza minha tarefa, voltei para a minha deliciosa leitura, ávida em saber o que finalmente aconteceria ao cruel protagonista da história.

E aconteceu isso mesmo que você está pensando: com o vento, as últimas duas páginas do livrete haviam de desprendido e eu fiquei sem saber o final da história.

Busquei-as como uma louca, arrastando mesas, cadeiras, tudo em vão. Não consegui achar.

Qual é a moral da história? Algo do tipo… deixa de ser mão de vaca e desembolsa dez real pra comprar uma edição decente que você possa ler até o fim, mesmo que passe um ventinho.

Mas essa historinha teve final feliz sim. No dia seguinte, depois de uma noite mal dormida imaginando o que afinal teria acontecido ao belo aristocrata, a chefa achou as duas páginas fugitivas que tinham ido parar atrás de um dos armários e eu pude me deleitar com o final inesperado.

imposto por fora

Publicado: 29 de março, 2003
Categoria: Blábláblá

Uma das muitas coisas das quais eu não consegui me avezar aqui foi com o imposto que você paga sobre qualquer coisa. No Brasil ele já vem embutido no preço, a gente “não sente”.

Aqui o produto mostra um preço para compra, mas ao chegar no caixa, tem ainda 14% em cima daquele valor da prateleira.

É claro que isso é bom sim. Primeiro o fator psicológico: o consumidor sabe exatamente quanto paga e assim pode cobrar do governo e do lojista. Dessa forma, ele tem a certeza que o seu dinheiro está sendo usado da forma correta. E segundo que, além de ser muito mais fácil fiscalizar, é consequentemente, mais difícil sonegar.

Mas não adianta, sempre acho que é uma facada, não consegui acostumar. Fazer o quê?

a viagem de chihiro

Publicado: 29 de março, 2003
Categoria: Filminhos

Mais um filme que levou o Oscar esse ano: “Spirited Away” (no original japonês “Sen to Chihiro no kamikakushi”) como Melhor Longa-metragem de Animação. Foi também a primeira animação a conquistar o cobiçado Urso de Ouro no Festival de Berlim.

Dirigido e escrito por Hayao Miyazaki, “A Viagem de Chihiro” (o filme foi atração no Anima Mundi e no Festival de Cinema Rio BR no ano passado com essa tradução) tem sobre si a cobrança de ter sido precedido por “Princess Mononoke“, um filme absolutamente impecável na opinião dos críticos. E óbvio, já está na minha listinha.

Chihiro e seus pais estão se mudando para uma casa nova no subúrbio. Eles acabam errando o caminho e param num lugar abandonado, perdido no meio do mato. A partir daí, uma sucessão de transformações, surpresas, mistérios e bizarrices tomam conta do filme. A graça é justamente não termos a menor idéia do que vem a seguir.

É um filme com uma riqueza de detalhes absurda, cheio de capricho e cuidado por parte da equipe de animação. Bateu todos os recordes de bilheteria no Japão e foi aclamado pela crítica mundial.

Conversando com o Cris, cheguei a comentar que ele era uma espécie de “Alice no País das Maravilhas” japonesa. E parece que foi isso mesmo que andaram dizendo por aí.

Se você for vê-lo, a única coisa exigida é a entrega àquilo que vai assistir nas próximas horas. Quando acaba, a sensação é de acordar de manhã, depois de um sonho bom.

karaoke

Publicado: 27 de março, 2003
Categoria: Blábláblá

Eu bem que tentei, mas não consegui acompanhar muito bem a música desse karaoke.

Tenta aí, depois me conta.

chubb chubbs

Publicado: 27 de março, 2003
Categoria: Filminhos

Assistimos ao fófi “The ChubbChubbs!“, que ganhou o Oscar de Melhor Curta-metragem de Animação esse ano.

Parece que já está disponível no Brasil no DVD do MIIB – Homens de Preto 2. Se você tiver coragem de alugar, pelo menos assista a animação. O filme não leva muito mais de 5 minutos pra ser visto e garante boas risadas.

alê na escolinha

Publicado: 26 de março, 2003
Categoria: Pra pum tchiiii!

Meu irmão tinha uns 6 anos quando foi fazer a provinha para ingressar na primeira série da escola. Enquanto isso, minha mãe esperava do lado de fora.

Quando terminou, saiu da sala e foi ao encontro dela, que perguntou ansiosa:

- E aí, meu filho, o que caiu?

Ele então respondeu com segurança:

- Ah, só a minha borracha que caiu no chão, mas eu peguei logo.

vender billy e vacinar carro

Publicado: 26 de março, 2003
Categoria: Blábláblá

Faltam 6 dias.

Quase tudo pronto, só fica faltando praticamente vender o Billy e vacinar o carro.

É, acho que só isso.

michael moore

Publicado: 26 de março, 2003
Categoria: Aconteceu, virou manchete

E Michael Moore continua matando a pau.

Ele concedeu uma entrevista coletiva após seu discurso inflamado no Oscar e vale a leitura:

Você fez a maior cena de uma cerimônia do Oscar. Você conseguiu o que queria? E por que fez isso?
Sou um americano.

(Risos dos jornalistas)

Só isso?
Isso é muito.

Nunca houve uma reação assim…
Eu sou um americano e você não deixa sua cidadania do lado de fora quando entra no Teatro Kodak. O que os Estados Unidos têm de bom é o direito de expressão. E é isso que eu faço nos meus filmes, na minha vida. Eu gostei da reação. (Irônico). De repente, as luzes se apagaram e.. oh, meu deus! Michael está caído no chão!

(Risos dos jornalistas)

Metade das pessoas queriam te carregar nos braços. A outra queria te malhar….
Não foi isso o que eu vi. Eu vi o público se levantar e aplaudir. Aplaudir um filme que mostra como somos manipulados pelo medo e como criamos esta cultura da violência em nosso país. Violência em casa, violência no exterior. Nós americanos matamos muitas pessoas. Matamos mais do que qualquer outro país neste planeta. E qual a lição que ensinamos às crianças de Columbine (escola retratada em seu filme onde dois alunos mataram alunos e estudantes) esta semana? Que a violência é um meio aceitável para resolver um problema, um conflito.

E as vaias depois dos aplausos?
Eram meus parentes e amigos (risos dos jornalistas). Pedi que eles vaiassem para mostrar que este é um país com diversidade de opiniões.

Você não acha que o país está dividido?
O país está unido. Os americanos não querem ver seus jovens mortos. Nós queremos que eles voltem para casa salvos. A maioria dos americanos nunca votou naquele cara que está na Casa Branca. E continuarei falando isso até que ele saia de lá. Nossa democracia foi seqüestrada. Me chamem de louco, me chamem de americano… Mas, para mim, cada pessoa vale um voto. E você tem que contar todos os votos!

Você tem medo de entrar para a lista negra de Hollywood depois disso?
Eu não trabalho para Hollywood. Sou patrocinado por canadenses e outros que não moram aqui (Risos dos jornalistas). Mas foi Hollywood que votou por este prêmio. E que se levantou para aplaudir quando o prêmio foi anunciado. Já houve uma outra reação assim esta noite? (Irritado). Nao digam que houve uma reação dividida só porque cinco pessoas vaiaram alto. Façam seu trabalho. Digam a verdade. A maiorida dos americanos é contra a guerra e não é a favor da política de Bush.

Você acha que a cerimônia deveria ter sido cancelada ou foi uma boa plataforma?
Acho que foi importante ter o Oscar. Não é por isso que estamos lutando? O american way of life? O que pode ser mais americano do que o Oscar?! Eu acho que temos que ter o direito de nos expressarmos. Quando cheguei aqui, percebi que alguns repórteres tinha uma credencial diferente. Perguntei por que e um deles sussurrou: falaram que não poderíamos fazer perguntas. Mas devemos ser livres para perguntar o que quisermos e falar o que quisermos. Esta é a beleza deste país.

Você acha que os EUA estão lutando pelo american way of life?
Não. Eu estava sendo sarcástico. Bush está lutando pelos seus amigos e pelo petróleo. É imoral.

E as razões fictícias das quais você falou?
A razão fictícia é que Saddam Hussein vai te matar esta noite. Isto é ficção. A não-ficção é que o Iraque está sendo atacado por causa do petróleo. E por que eles não dizem isso? Outro dia, num discurso, ele quase disse isso quando falou “não queimem os poços de petróleo”. Pensamos que ele ia completar: “não queimem porque é nosso!”. Mas ele não disse…

(Jornalista estrangeiro). Estou assistindo os noticiários desde que cheguei aqui. E parece que os roteiristas de TV são pagos pelo Pentágono. É pura propaganda!
É. Parece que estas foram as duas primeiras horas que não tivemos militares fazendo análises e comentários na TV. Eu quero que os militares tirem suas tropas da CNN, da ABC, da Fox, da CBS. Queremos a verdade!

Até as pessoas que concordam com você podem, amanhã, dizer que você estragou a festa. O que você acha disso?
Não acho isso. Eu mostrei como é vital ter liberdade de expressão. Estou nisso há muitos anos. Meu livro é o número um da lista dos mais vendidos neste país. (”Stupid white men” é um livro sobre George W. Bush e é um best-seller nos EUA). Quando, supostamente, Bush está cheio de popularidade…. E quem votou em mim sabia que eu não iria fazer um discurso agradecendo agentes e advogados. Sou uma pessoa sincera. E amo o cinema acima de tudo. Estou honrado em receber este prêmio. Vocês também trabalham com não-ficção. Trabalham pela verdade. Façam isso. Eu amo o meu país.

Michael Moore comanda o batatal.

barbie terrorista

Publicado: 26 de março, 2003
Categoria: Blábláblá

Ah, sim. Quase ia me esquecendo. Quando fui procurar uma imagem pra colocar naquele post onde eu falo de Barbies, dei de cara com essa. Eu não disse que elas estão sempre atualizadíssimas?